31.12.13

New Year's Eve

Ah, 2013... você está chegando ao fim, finalmente. E nesse momento, que paro um bocado para pesar e repensar tudo que você me trouxe nesses 365 dias, percebo que não foi tão diferente dos outros anos. Algo a mais de bom, algo a menos de ruim. No mais, crescimento e fortalecimento.

Esse ano eu reaprendi a valorizar a minha família, parte de mim que é essencial e que nem sempre consegui compreender em suas particularidades. Ganhei uma irmãzinha, amei ainda mais a minha irmã materna, figura por quem sou apaixonada e grata. Ganhei de aniversário um sobrinho, a quem amarei loucamente e vou corujar feito doida. Certeza. Esse ano vovó foi pro céu...e deixou muita lembrança e tristeza. Mudei para uma casa melhor com minhas queridas primas, com quem a convivência é infinitamente mais prazerosa. Aprendi que a desunião pode ser vista com auto-comiseração ou encarada como uma chance de que, no futuro, possa construir minha própria família com as coisas que não pude ter: histórias ao leito, conversas compreensivas, oportunidades, festas, apoio... Penso ser hora de deixar mais um pedaço do meu passado negro e olhar ao horizonte com esperança. Como Tolkien me ensinou.

Esse ano revi amigos perdidos e vi que a distância não é nada para almas afins. Fortaleci ainda mais meus laços com meus amigos mais próximos e espero que tais vínculos jamais pereçam. Ana Cristina, Agatha, Ana Paula, Rodrigo, Daniel Phillipp, Sérgio, Rafael, Dênio, Paula, obrigada por serem almas afins. E a mais muitos amigos que adoro imensamente, obrigada pela reciprocidade e companheirismo. Vocês são únicos.

Tive momentos de muita tristeza profissionalmente, mas graças a Deus me reergui e aprendi algumas lições. Reconstruí sonhos, planejei projetos e alguns concluí. Sonhadora que sou, já penso em novos tijolos para meu castelo de luz. Venci a tempestade e, hoje, creio estar mais próxima do próximo degrau na minha carreira. Com mais sabedoria e menos ansiedade.

Esse ano não encontrei ninguém especial. Esse ano não amei. Termino o ano sozinha e pensativa. Não ligo mais para essa coisa de 'namorar, casar e tal'. Fiquei meio rebelde. Se era esse o objetivo da vida, parabéns. Não padeço mais de esperanças amorosas. Apenas um vazio incorrigível no lugar. 

Finalmente, esse ano de 2013 foi bonito. Tive conversas prazerosas, passeei, sonhei, realizei. Tive reencontros inusitados e vi o tanto de carinho que podemos guardar por quem passa em nossas vidas. Desfiz mágoas e criei mais laços. Chorei. Ri. Fiquei só em algumas sessões de cinema e idas em livrarias. Fiquei acompanhada de amigos preciosos em sessões de RPG, aniversários e encontros para pôr o papo em dia. E ao fim e ao cabo, resta uma ideia: estive feliz. Percalços sempre terei, mas em alguns momentos, saboreio a luz da felicidade em grandes doses. 

Anteontem, fui na minha irmã e ela me mostrou um filhotinho de bem-te-vi que caíra do ninho e ainda não sabia voar. Estava ali, à mercê. Vi, com algum espanto, que os pais dele iam e vinham, vigiando, cuidando e alimentando. Ele, mais tarde, subiu num arbustozinho e ali ficou, à espera do futuro. Senti-me ligada a ele de uma forma curiosa: também fui atirada à vida muito cedo. E, mesmo com tanta adversidade, Deus sempre colocou pessoas iluminadas por perto. Caro bem-te-vi: não desista. A vida pode ser bonita pra gente.

E que venha 2014! Feliz ano novo!


10.10.13

sobre Ortelius e Cicerus


 "QVID EI POTEST VIDERI MAGNVM IN REBVS HVMANIS, CVI AETERNITAS OMNIS TOTIVSQVE MVNDI NOTA SIT MAGNITVDO “ CICERO (106-43 BC), Tusculans Disputations, Book 4, chapter 17


“What in human life can seem vast to the one who knows eternity and the expanse of the whole world?”


O mundo é tão vasto...o universo é tão vasto...a mente humana é tão vasta...e às vezes, somos igualmente vastos. No entanto, em meio a tamanha imensidão e desconhecimento, sinto-me pequena e só. Somos tão pouco e a vastíssima ignorância e brutalidade do ser humano machuca deveras. E, se o amor ainda persiste, é porque ele coexiste em algumas almas que são ainda mais infinitas que a dor. O mundo, desde sempre, tem fronteiras imaginárias. A Terra é uma, o Universo é um. Somos todos um e iguais, mesmo que tentemos nos achar superiores a outros de nossa espécie.


Mapa de Abraham Ortelius, c.1570

20.8.13

sobre hoje...


A gente é tão bobo que deixa de fazer coisas e viver coisas facilmente. Hoje às 18h30 em Beagá: ponto de ônibus entupido e do circular na Contorno nem sinal...decidi pegar um táxi pensando com meus botões (já um tanto gastos): "Que droga! Gastar esse dinheiro assim do nada...". Tempos depois consigo um, e quando estou prestes a entrar vem uma moça: "Aqui, você vai até aonde?" "Ah moça...até ali embaixo no Boulevard..." "Vamos meiar?" Aí eu realizo: CLARO!  E como se não bastasse a euforia e a ideia super bem-vinda (minha timidez bizarra não permitira sair oferecendo meiar transporte por aí, do nada, em um ponto de ônibus), vieram mais duas moças se oferecendo para ir conosco. Galera no táxi e estrada à frente: papo foi bom, a corrida nem pesou no bolso e tive essa incrível experiência que passo adiante e tentarei repetir da próxima vez que o ônibus demorar trezentos milênios para passar (abarrotado) (e se a minha vergonhice permitir, claro).

E agora, essa Lua fofinha da janela do meu quarto...mudar fez bem mesmo... 

18.8.13

Sobre pensamentos, tristezas incontidas e alegrias limitadas

i: Sobre amor e esferas sociais: Há tempos venho querendo voltar a perambular por aqui, desabafar meus medos, descrever minhas paixões...aqui é meu cantinho feliz e infeliz, o local do não-importa, o sem-lugar dos meus pensamentos completamente agitados e incontroláveis. Esses dias muita coisa aconteceu, muita coisa aconteceu em mim e no mundo. Reaprendi a lutar contra traumas do passado (longa caminhada), revigorei alguma esperança na vida, refiz amizades que julgava perdidas. Tal qual montanha-russa, continuo nos meus altos e baixos que me definem ipsis litteris: sou metamorfose descabida e talvez por isso amada. Falando em amor, nesse primeiro tópico da volta aos escritos no blog: esses dias vivi algo desagradável, um dèja vu...fiquei grilada (ainda estou, a bem dizer). Sempre achei que a ideia de alguém fracassar em um relacionamento devido a esferas sociais antagônicas fosse roteiro de filme de amorzinho e de novela mexicana. Não. É real e sólido, é nojento e pulsante nas veias de nossa sociedade pseudo-civilizada e pouco versada em assuntos que envolvam Amor. Conheci alguém anos atrás, tivemos um filho inclusive, e parte considerável do fracasso da relação foi social: eu era pobre demais para ele e sua família. Ele me fez pensar que não fosse honroso ser alguém que luta pelas coisas, que dá faxina para sobreviver e sustentar várias bocas. Ele despreza aquela mulher lá na favela que dá o maior duro para criar filhos que mais tarde e ascenderão socialmente e serão reconhecidos como verdadeiras pérolas polidas pelas adversidades. Prole que sairia incólume: sem odiar, sem vingar. Esse rapaz me fez desacreditar em amor...durante muito tempo. E poucos anos depois, cá estou, já revigorada do rebaixamento por ele atribuído: e profissionalmente já equiparável a ele e sua família de malucos ostentadores de classe média pseudo-alta. Não o odeio, apenas desprezo. Assim como desprezo o último que tive a ousadia de gostar; e que recaiu na mesma peripécia: não seguir adiante por achar que não condigo com status quo da admirabilíssima família à qual pertence. Sinceramente...cansei. Não sei mais o que quero: o cara pobre e pouco esforçado não compartilha dos meus ideais de crescimento; o cara que tem um pouco mais de dinheiro se acha o dono do quarteirão e bom demais para algo menor que uma patricinha moderna e de boa família tradicional. Resta a solidão. Os livros. Os amigos. Os filmes. Os passeios amargurados e solitários. O RPG. Os planos e sonhos. Alguma família desestruturada e amada. A doação e o amor aos necessitados. O Divino. Os traumas, medos e raivas dessa galáxia. E a alegria limitada que me encontra em doses homeopáticas a cada dia conquistado. É, na verdade...resta muita coisa.

things to remember I


22.5.13

Ah se pelo menos o pensamento
não sangrasse!
Ah se pelo menos o coração
não tivesse memória!
Como seria menos linda
e mais suave minha história!

(Cacaso)

10.5.13

wondering...

(...)Sometimes I start to tremble in the dark
I cannot see
When people frighten me
I try to hide myself so far from the crowd
Is anybody there to comfort me
Precious Lord...hear my thee and take care of me

How can I go on
From day to day
Who can make me strong in every way
Where can I be safe
Where can I belong
In this great big world of sadness
How can I forget
Those beautiful dreams that we shared
They're lost and they're no where to be found.

(Freddie Mercury and Montserrat)

8.2.13

psicoterapia, talvez

Ah, aqueles dias. Aqueles tolos dias todos os dias, em que se pensa quatrocentas e noventa e sete vezes em desistir, em jogar tudo pro alto e ir embora sem dizer adeus. Nem "adeusinho". Reclamo demais e procuro manter isso sob controle...mas aonde colocar tamanha oscilação, perturbação, falta? Diacho!

Como sempre aqui é o cantinho no qual posso me esvaziar (paradoxalmente) sem ter que encher os ouvidos de - raros - amigos. Sinto-me amiga de muitos e considerada amiga de poucos. Você recebeu alguma declaração hoje?

O facebook é o berço da auto-comiseração. E não tenho o menor problema em admitir isso aqui. Alguns dias atrás vi uma pessoa que considero uns dos meus melhores amigos declarando amor eterno e admiração por uma amiga em comum: dias antes eu havia feito algo parecido para ele, recebendo pouco mais do que um "ah, obrigado.". Fiquei um tempo sem computador e sem acessar a internet, fato percebido por ninguém na tal rede social. E hoje, depois do computador continuar meio estragado, eis que vejo mais uma declaração de uma pessoa que amo muito para alguém. Bom, não que os destinatários não mereçam. Merecem escandalosamente. Mas sinto uma angústia: eu vou em todos os aniversários que posso, presenteio, escrevo, procuro estar, apesar dos apesares e das minhas chatices cíclicas. Procuro amar quem amo. E quando vejo todos se declarando em redes sociais, num "eu te amo" tão correspondido...e eu ali, só, sem nem um "Oi Mila, saudade de você"...aí dói. E fodas, dói mesmo. Pode ser inveja, ódio, enfim. Sinto-me abandonada pela família, que só existe em sua maioria quando eu procuro - salvo honrosas exceções que ocupam menos que uma mão com todos os dedos íntegros; sinto-me indigna de receber amor dos amigos, que nem sei me acham melhor amiga ou coisas que  valha.

CARA. Em casa depois de um dia de trabalho fatigante, ver que o computador continua bizarro, que os amigos continuam se amando nas redes sociais e fora delas e eu nessa sensação de abandono, sem um companheiro sequer para desabafar (quem desabafa é cretino e insuportável, sei o que sou) e sem mensagens lindas das amizades que devem existir, dá aquela vontade de sumir do mapa.

Mapa. O que mais tenho sonhado esses dias é em persegui-lo. Canso-me de querer que me amem quando não dignar-me-ei disso, trabalho buscando crescimento que nem se sabe quando (sem falar do blablablá já lutei até os rins caírem para chegar aqui nessa lama menos podre, um degrau com menos lodo. o degrau de porcelanato ainda está por vir). Canso-me de ser aprazível apenas aos olhos de quem não faz sentido. Canso-me de me esforçar e ver o Sol se pôr sozinha. Acho que não sou melhor amiga de ninguém. Ledo engano aos sentidos.

Preciso de um chá, de uma sumida. Realizar o velho sonho de ir para a África ajudar o povo. Ajudar a família aqui, afinal, não tem gerado gratidão. A solidão em casa, na rua, em todos os cantos inexplorados. A saudade do que nunca existiu. Hoje sou uma colcha de retalhos retalhada. Hoje quis desistir. No entanto, vou continuar. Porque, por algum motivo deplorável, minhas veias são de ferro e meu coração é de sangue. Impossível parar, se ainda houver algum sonho.

20.1.13

new year...

Demorei falar nesse ano que desabrocha febrilmente. Talvez por estar meio desiludida, meio perdida com algumas pessoas, meio querendo me encontrar em meio a destroços de toda uma vida, filmes, livros, amores, desejos, planos, poesias, flores. Ah! Tanto sou e não posso - nem quero - minguar. Ano passado decerto foi um ano maravilhoso, com conquistas incríveis...pessoas maravilhosas...livrei-me de alguns pesadelos e me fortaleci em relação a alguns. Senti faltas. Agradeci perdas. Encontrei tesouros. Perdi jóias que não mereciam ser perdidas - mas o mar as quis. E assim vou caminhando...começo esse ano perdida...esperando encontrar-me em meio aos sonhos - escrombros - que vagueiam por minha mente todos os dias, todos os minutos. Sonhos em que voo para bem longe, para a África. Para a guerra, ajudar. Para a sina, na qual encontro amor. Eu sempre volto. Será que um dia?...

Clima de Carnaval. Hoje - fim de semana enclausurada - passei o dia ouvindo A ópera do malandro, do Chico, e marchinhas de carnaval das décadas de 1940 a 1960. Sabe que beleza há nisso? Só ouvindo...agradeço a Deus ainda as desventuras, as conquistas, os anseios...talvez os medos. Sinto-me tão triste, feliz, grata e incompleta. Tudo ao mesmo tempo. Sou dessas coisas costuradas como uma colcha de retalhos. Mil cores.

Como dissolver traumas? Amar e ajudar todos? Planejar e fazer? Perguntas que precisam da sabedoria dos anos para serem respondidas. Muitas travessias ainda...Cá fico com amigos que moram em meu coração: uns cinco ou seis, valiosos. Fico ainda com meus livros, minha liberdade...e minha solidão. E essa, só darei a quem realmente merecer e souber conquistar. Sem pretensões. Apenas sinto que há vazios que não adianta preencher de qualquer jeito...deve-se calcular, medir, sentir e naquela batida calamitosa de um coração saber que a hora chegou. Assim espero descobrir o amor. Quem sabe...



2.12.12

redescobrindo a positividade...


Ao som de “Come alive” de Foo Fighters.

Depois de dias e meses em silêncio, meus dedos desdobraram-se hoje, loucos para gritar, falar, poetizar e indagar. Linha alguma consegue conter os traços da minha vida e de minhas vivências, que de tão tênues e múltiplas, escapam-me.

Revivo a cada minuto como uma fênix. Obviamente é uma comparação cheia de ego e talvez seja mesmo. Não me importo de ver-me em meu lugar e perceber com clareza – hoje – todas as batalhas que lutei e perdi, as que fugi e as que venci. De todas elas ressurgi e não naufraguei – graças a Deus e aos amigos – de todas elas vim maior e mais eu. E hoje sinto-me um eu inefável. Apenas e muito.

Esse blog contém no mínimo partes cruciais da minha existência, desabafos de quando longe de casa tive que ser ainda mais independente e forte, de quando me senti só, de quando o meu amado Augusto me deixou e eu vi como certos homens podem ser detestáveis. E olha que ainda conheci homens ainda mais detestáveis depois. Meu coração se fechou a novos amores – não era esperado? Ainda que muitos me cortejem, prefiro estar só. Agora que minha alma se recompôs e brilha novamente, para quê machucá-la de novo? Sim, temo. E pago minhas contas, então o problema é meu.

Aqui já dedilhei minhas misérias e minhas intensas felicidades: a loucura do cansaço após perceber que trabalho desde tenra idade, a radiância de conhecer a doação voluntária, o amor doido de ter amizades eternas e inexplicáveis, o ódio e a rebeldia que fazem de mim águas calmas. E incompreensíveis.

Hoje me refugiei aqui para relembrar e sonhar... Pensar que as conquistas desse ano foram maravilhosas e defitivamente esse foi um ano bom. Livrei-me de mais um miserável, aprendi a chorar só pelo que faz sentido, aprendi a amar minha presença e a estar mais próxima dos que amo, aprendi que embora nos entristeçam e a TPM seja intransponível dias lindos virão. Não deixarei de sonhar e de acreditar. Talvez me reabra pro amor novamente – um dia – mas ele terá de atravessar montanhas mais altas que as que os poetas criaram em suas lamúrias. Eu estou completa hoje. E se amanhã não estiver? Mais aventuras e aprendizado, pois muitos (belos e floridos e cantantes) caminhos ainda me estão reservados J


4.11.12

domingo!


"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.


As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.

'As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,

O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial!"

Mario de Andrade (1893 - 1945)

30.9.12

Planos Lindos! :)

Tão bom dar aquela olhadinha nas fotos de formatura...ver pessoas amadas...pessoas que a saudade insistirá sempre em lembrar, pessoas que já acharam seus caminhos e outras que ainda o procuram. Tão bom ver que, apesar de muitos acharem que não tenho nada - por não ter uma casa própria ou carro ou namoradinho - eu perceber lentamente que tenho muito, tenho tanto e ainda muito colherei de antigas rosas semeadas... Tão feliz ver o que ficou lá trás e que tornou-se maduro e repleto. Eu era uma menina assustada e corajosa, agora a coragem aumentou e o susto transformou-se em aprendizado.



19.9.12

ame a si mesmo...e o que te rodeia.

Semana de gratas surpresas... primeiro fazer spinning ao som de AC/DC. Vertigens...épico.

E hoje, ao entrar no ônibus pra ir trabalhar depois da academia, um livro legado ao limbo temporário do banco que selecionei para repousar antes do dia corridíssimo (que já começara, aliás). Perguntei para as pessoas ao redor se o livro era de alguém e...ninguém respondeu. Me senti meio boba de esperar comunicação. Depositei o livro ali do lado...fiquei pensando se era roubo...quem havia deixado...se algum ser estaria pensando "Meu livro! Esqueci! Quando saberei o final, afinal?...". Entreguei-me. Peguei o querido amigo que pode ter sido herdado de alguma árvore amiga e qual não foi minha surpresa ao ler em sua página primeira, em papel colado com esmero: "Hoje é 19 de setembro. Dia Municipal pela mobilização pela educação. E para comemorar, um livro para você e sua família! Leve-o consigo e façam boa leitura. Depois de ler, passe-o adiante, pois assim outra pessoa poderá também vivenciar o prazer da leitura. Ler é um direito de todos e faz o mundo melhor. Campanha do livro: nunca esquecido, sempre lido!"

Ah...dancei meus olhos surpreendida e imediatamente comecei a namorar o livro, perdi-me nas suas palavras e fiquei sorrindo sozinha naquele ônibus cheio de pessoas incomunicáveis. E o livro, esse ente mudo, conversou e tamborilou comigo naqueles minutos. Por instantes, senti-me a adolescente aventureira que era, amei a mulher que estou me tornando e aprendendo a ser, deliciei-me por ter sofrido, apanhado da vida, amado e doado, chorado e ainda mais... Cada dia tem sido uma lição pra mim e a solidão tem sido coisa boa, edificante. E quis dividir isso hoje, meu aprendizado de saborear a vida, tão cheia de destemperos e dissabores. Mesmo assim, altamente surpreendente.

E que venha o novo, o melhor. E se vá o velho, quem me acha menos e me quer mal. Eu...eu quero o Bem, o Amor. Quero fora do Facebook. Fora da Terra Média. Na Real. :)

Camila Martins dos Santos

21.8.12

reflexões...

É curioso pensar na "especialidade" de cada pessoa para a gente. Peço perdão pelo mau uso da palavra, mas foi isso que pensei...no quanto cada um é especial.

Tem a mãe e o pai - para quem sabe quem são ambos - esses destoantes seres que nos fazem amar e odiar, perdoar e ser. Bases junto com Deus de nós mesmos, se tivermos sorte de acreditar Nele. Amor do jeito mais puro.

Tem os irmãos, amigos que são sangue do nosso sangue, que amamos infinitamente: mesmo levando rodada e vassourada na infância, sofrendo perdas juntos, descobrindo o tempo passar.

Tem os amigos melhores, aqueles que você quer passar momentos juntos, quer abraçar, falar até babar. Aqueles que você pode vomitar em cima que tá normal. Que já te viu chique pra formatura ou casamento e toda ressacada e sem maquiagem. Aqueles que, afora a não coincidência sanguínea, são irmãos.

Tem os amigos normais. Quando paro pra pensar vejo que são aqueles que eu mais gostaria que lembrassem de mim, me ligassem e quisessem saber de mim. Na verdade, somos sempre nós que corremos atrás desse tipo de amigo. Não há erro nisso. Só não espere nada surpreendente. São bons ou até ótimos amigos. Mas não te acham tão "especialidade".

Há os colegas. Poderia dizer que são pré-amigos. São pessoas que a gente gosta bastante e normalmente convive muito. Pode-se contar com eles, sair, papear e ajudá-los. São bons demais também. Normalmente pertencem a um passado recente e foram super importantes em nossas vidas quando passaram por elas.

Há quem nos odeie, claro. Sabe Deus porquê, mas existimos e acabamos ficando com raiva às vezes. Eu nem fico por mais que alguns meses...rs

Há os desconhecidos. Aquelas estrelas que ainda brilharão em nossas vidas um dia...ou não.

Fico pensando...esse mundão é tão vasto, imenso...somos tão incalculavelmente pequeninos. E eu sempre insisto em achar meu umbigo o máximo, egoisticamente. Tento me corrigir com o trabalho voluntário e amando quem eu amo mas recaio sempre no erro de chorar à noite de vez em quando me achando a pessoa mais só do universo. Claro que não sou. Fui abençoada. E agradeço a Deus por isso, mesmo com raiva de não ser madura o suficiente para abraçar o mundo todo e ajudar a trazer paz. Até porque não sou eu quem traz...posso apenas cultivá-la em mim mesma e torcer para produzir algo honrado.

Só sei que contando tudo: família, melhores amigos, amigos normais, colegas e desconhecidos..ainda há tanto a conhecer e tão pouco que realmente importa. Conto nessas mãos que digitam os seres nos quais meu amor brota com mais vitalidade. E mesmo assim, paradoxalmente, ainda há amor demais aqui dentro, pronto para ser distribuído.

Ah, não falei do companheiro ou companheira - o "amorzinho" - dirá o leitor perspicaz e incuravelmente romântico. Ah, claro que lembrei. Até porque acredito em amor de companheiro, amor de amar apenas e sem penas. Só que isso é especial demais para ser descrito. Deve ser respirado. Hei de tragar ainda dessa fumaça inebriante. Hoje ainda não. Não chegou.

Texto de Camila Martins dos Santos

30.7.12

"Há dias que  preciso conversar e não há ouvidos. Há dias em que nada quero falar e me procuram ávidos. Há dias que quero balbúrdia e fico só, outros em que o sossego flerta comigo e vem o caos. Há dias em que nenhum homem é palatável e muitos se amontoam à  porta. Em outro ocaso o coração esvaziado procura qualquer preenchimento - mesmo do gênero mais desprezível - e o limbo o espera. Há dias que quero amar amigos e família com vigor e há somente problemas e desinteresse. E naqueles dias que me afasto...sou precisada. Quisera eu...quisera eu falar aos ventos e ser ouvida nesse dia miserável em que desejo apenas que não haja tamanho desencontro em uma vida!" - Camila Martins

Cartoon de Will Tirando

20.7.12

Amiguito's Day

Hoje é o dia do amigo. Teoricamente, mas mesmo assim é a data mais que apropriada para lembrar aos bons e velhos amigos que você os ama e salientar às pessoas queridas que você as quer bem. E droga, é dia de ver que ninguém te manda nada a não ser resposta (se mandarem). Droga, estou sensível.

hehehe


"Ele sabia ler a chuva. E escrevia pela enxada. Sua tristeza eram as mãos, feridas pela necessidade. Por nunca ter segurado um lápis, fez o impossível para seu menino. Na hora da foto de formatura, plantou fundo as mãos nos bolsos da calça surrada, com medo de envergonhar o filho doutor. Com carinho, o rapaz as colheu, abriu feito palma de flor e desferiu longo beijo.

Desde então, Emanuel sorri quando olha para elas."

(Leonardo Sakamoto)

16.7.12

:)

Virtude é a beleza de uma pessoa. É o que a torna adorável e única.
É a cor, a forma, o design da personalidade.
Sua mais pura expressão é revelada no olhar, no agir, no falar.
Tudo aquilo que estiver próximo a ela estará preenchido de qualidade.
A virtude brilha de dentro para fora tocando tudo que encontra:
as células, o corpo, o meio ambiente, a fibra do planeta.
Preenche o que está vazio, cura o que está doente,
acomoda o que perturba.

[Brahma Kumaris]

1.7.12

Floresta da Ira

DIVAGANDO.

Lembro com alguma clareza que esses dias, ao sair do hospital, estava grata pela existência e por ter obtido bem-estar momentâneo - o que de certo modo tornou a ida ao local proveitosa. Os vômitos posteriores talvez destoem daquela gratidão, mas ela estava ali condecorando minha humilde estada na Terra. E claro, tudo parecia febrilmente florido, bonito e os dias não seriam tão terríveis quando todo o vírus urbano transpusesse as portas retais.

Quisera eu ter parado meus dias em alguns desses dias gratos e oportunamente belos. Hoje é um dos dias miseráveis, lamentáveis, em que é melhor arrumar as malas e ir viver na Terra Média ou Avalon. Hoje é um dos dias que as doenças acordam provisoriamente, que os medos vigiam, que a ira assoma e que o vapor de toda a esquizofrenia humana parece exalar do meu quarto de menos de vinte metros quadrados.

Exagero meu, dirão os grandes sábios que lotam a Internet e nada promovem ou mudam na Externet. Pouco me importa hoje o que pensa e dita a comiseração alheia - essa ferina da MERDA que traz a tolerância para encobrir o desprezo pelo que o Outro tem de pior. O que o Outro é? Um deficiente, um doente, um cafajeste, um pobre, um negro, um gordo, um homossexual, um estrábico, um míope, um esquelético, um burro, um débil ou um ébrio? O Outro é tudo o que você não quer, não é mesmo? Você não quer ser, você não quer tocar, namorar, morar, ajudar ou tolerar. Mas você RESPEITA. Você respeita o que o seu âmago jamais toleraria em si mesmo. Aquilo do que você tem nojo - e não a sociedade.

Hoje estou com nojo das pessoas, das mesquinharias, dos julgamentos, de telefones desligados na cara. Eu sou o Outro e também tenho nojo de minhas carnes pútridas, pois eu também TOLERO.

Hoje aquela velha e tola rebeldia que me salvaguardava outrora está atenta novamente, todo aquele ódio das vilanias vividas por todo tipo de merda de pessoa, está aqui. Talvez amanhã vá. O que não muda essa merda de mundo, absolutamente. Somos todos egoístas com medo de sermos julgados por seres ainda mais medíocres e patéticos. AH, QUE NOJO!


17.6.12

diálogos facebookianos

Preciso aprender a me distanciar do que não me quer e me aproximar do que me quer bem. Em qualquer instância. É engraçado ser olvidado pelas pessoas mais queridas e que você mais ama e em contrapartida, ser acolhido por quem você jamais esperaria. A vida é isso, pano de espantos, ao qual me recolho contrafeita...mas grata, ao fim e ao cabo. Não sou filósofa nem poeta, mas esse campo do Facebook convida em letras sedutoras: "Desabafe aqui..."