31.12.10

2011


"Sure as I am breathing
Sure as I'm sad
I'll keep this wisdom in my flesh
I leave here believing more than I had
This love has got no ceiling"

2011 está chegando...e lá se vai esse ano tempestuoso.
As tristezas que ele deixou não irão, as lágrimas que ele gerou também ficarão...os vazios, ausências e decepções cá estarão. Não entro no ano novo sorrindo, esperando...mas vou. Para algum lugar desconhecido.

deixo este ano cheia de amor e cheia de feridas. o que nos espera?

23.12.10

I feel like I have been leaving this world

me sinto vazia e destroçada.
só.
essa dor não me deixa!
ah, não quero viver. 
não quero viver assim.
i can't be strong.

22.12.10

Feliz Tudo



Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
(Carlos Drummond de Andrade, Receita de Ano Novo)


20.12.10

Unchained Melody


Facebook test:

"Que tipo de amante você é? - Romântico (a)

São POUQUÍSSIMOS que nem você. Sua raça está quase extinta do planeta. Seu amor é verdadeiro, puro, e extremamente forte. Não mede esforços para agradar seu amor. Amor como o seu só se vê em filmes de romance. Carinhoso, fiel, atencioso, você largaria m...ão de muita coisa apenas para estar com a pessoa amada. Sortudo (a) é aquele (a) que tem seu coração, pois para esse você não deixa faltar nada. Apesar de ser a pessoa ideal para um relacionamento, provavelmente você está sozinho e depressivo. Só se fode na vida amorosa e constantemente se pergunta por que só você está sozinho. Você só nasceu na época errada. Talvez em 1956 você se desse bem... Hoje em dia bonzinho só se fode!"





O pior é ver um encaixe cabuloso! Se eu fosse menos trouxa talvez seria mais feliz...ou menos infeliz. Diferente. 

Primeira década dos anos 2000 e o ser humano desaprendeu a amar, a valorizar quem lhe dá valor, a retribuir o bem com o bem. Hoje quem ama é apedrejado, é largado na sarjeta por uma prostituta com quatro tipos de hepatite.

O poeta dizia "...pois de amor estamos todos precisados..." e eu me pergunto: será que alguém precisa do meu amor? Até hoje ninguém quis...emudeço.


19.12.10

All my Loving


Ah, mas eu quero falar tanta coisa! Ainda escolherei o momento certo...

"[...] And when I touch you I feel happy inside
It's such a feeling that my love
I can't hide, I can't hide, I can't hide

Yeah, you got that something
I think you'll understand
When I say that something
I wanna hold your hand"

11.12.10

...dói


Hoje fiz, fiz o que senti no coração que deveria ser feito. Eu não preciso contar aqui o que fiz (não faz diferença também, eu escrevo pra mim e ninguém lê isso). Só sei que doeu muito, dói demais. Por que a vida tem sido tão doída? Queria acordar sem recordar, acordar sem medo, acordar e ser amada. 

A maioria dos fins de semana tenho ficado sozinha em casa. Recordando. Curioso que, etimologicamente, recordar vem de algo próximo de re-cordis, do latim; significando tornar a passar pelo coração. Os escritores clássicos só não escreveram (ao menos que eu saiba) o quanto machuca recordar. Eu não enxergo o presente e não desejo o futuro, o passado recordifica meu coração em doses diárias, secas e malditas.

Ah, que sábado doloroso!


"Once I had the rarest rose
That ever deigned to bloom
Cruel winter chilled the bud
And stole my flower too soon
Oh loneliness, Oh hopelessness
To search the ends of time
For there is in all the world
No greater love than mine"

10.12.10

Loneliness


Solidão é ir na Lojas Americanas, comprar Brahma e amendoim japonês, chegar em casa e ficar gravando DVD de Family Guy enquanto assiste pela décima vez os episódios da oitava temporada. Em plena sexta-feira à noite. :\

Solidão é separar e escolher as roupinhas do meu pequeno, que já não mora mais dentro de mim, para doar amanhã para outras mamães. Chorar, chorei, chorarei.

Solidão é ir dormir pensando no que foi e no que poderia ter sido. Sentindo-me vazia e inútil, cansada desse mundo.

Aqui desfalece um desabafo idiota, mas eu não me importo. Acabei de lembrar que gramaticalmente partículas negativas atraem o pronome para perto de si, daí ter ocorrido próclise na oração interior. Droga.


El Balcón - Fernando Botero

9.12.10

Like a Stone



Hoje é mais um daqueles fatídicos dias de desabafo...os quais você fica chorando horas a fio, por tudo e por nada. O choro chora e você desaba. Falo na segunda pessoa do discurso, mas em verdade falo de mim. Com o coração rasgado e navegando por uma frase de "Fade to Black": I have lost the will to live.

2010 foi um ano de tormentos e tormentas. O ano começou com um fim e finda com outros fins. Os planos que fiz foram por água a baixo...não uma, mas três vezes. Amei e não recebi amor em retorno, chorei e apenas o vento secou meu pranto, almejei e descobri-me em profundo fracasso.

A vida inteira foi um transtorno, com problemas, problemas, problemas. Momentaneamente houve brisa, descanso. Em seguida o monstro a ser enfrentado era um monstrengão, enfiando suas garras afiadas nas minhas veias. Eu não faço a menor idéia de como cheguei aqui com alguma sanidade, se já quis desfazer-me da vida inúmeras vezes. Vãs tentativas. O sofrimento ata minhas mãos e eu me sinto tão desesperançada, incompetente e sozinha...não sozinha de amigos - são pouquíssimos mas virtuosos e amados - mas sozinha de algo que nem sei se terei. O amor que procurei e quis distribuir foi rejeitado nefastamente por todos que tocaram esse corpo que sangra.

Formanda agora...após esses anos de luta e noites insones, formo. A sensação que pensei que teria não é  a que visita minha alma nesse momento. Sinto-me fraca, com o corpo descomposto - já se vão dois meses e não me recupero - sinto-me inútil, incompetente e vazia, burra, só. Tantos colegas já indo casar, já indo dar aula ou realizar mestrado: todos merecedores de tais vitórias. Eu me vejo como uma pequena garotinha perdida numa imensa floresta cheia de globins, sem sonhos e com muito, MUITO medo. Termino uma etapa importante sem o menor orgulho, sem prazer, sem esperança. Só, sem emprego, sem planos, sem meu filho. Nada, absolutamente nada saiu como esperado, planejado ou desejado. 

Devo ser forte para enfrentar sabe-se lá o quê mais, ajudar minha família, ajudar quem gosto e quem gostarei. Devo ser como rocha enquanto tudo desmorona ao redor, enquanto invadem meu corpo num hospital, enquanto meu pequeno vai embora sofrendo, enquanto as doenças se assentam e destroem. Rocha, rocha. Se fosse frágil e derretesse não sei se teria alguém pra me segurar. Não me refiro a nada espiritual, nem me atrevo. Lembro tanta enfermidade, trauma que já superei, fome e desespero. Há gente em situação pior que eu e eu gostaria de pegar essas pessoas no colo e cuidar delas. Esquecer um pouco de mim. Sumir de mim.

Nem vi as luzes de Natal ainda, sou toda escuridão. A colação é daqui uma semana e tudo que eu quero é dormir e não acordar mais, sair desse pesadelo. Esquecer o medo, esquecer tudo.

Bitte Bitte, geb mir Gift!!


O NUNCA MAIS de não ter quem se ama torna-se tão irremediável quanto não ter NUNCA MAIS de se ter quem morreu. E dói mais fundo - porque se poderia ter, já que está vivo(a), mas não se tem, nem se terá, quando o fim do amor é: NEVER.

(Caio Fernando de Abreu)

'I have lost the will to live
Simply nothing more to give
There is nothing more for me
Need the end to set me free

Things aren't what they used to be
Missing one inside of me
Deathly lost, this can't be real
Cannot stand this hell I feel

Emptiness is filling me
To the point of agony
Growing darkness taking dawn
I was me, but now he is gone.'  
(Fade to Black - Metallica)

7.12.10

We all live in Amerika

We all live in Amerika
Coca-Cola,
Sometimes WAR.

Recomendo fortemente assistir o clipe e ver a tradução...fodástico! Quão aculturados ou pluriculturados estamos? Bom ou ruim??

Eu creio que há limites...vide o caso da adúltera do Oriente Médio. Não temos o direito de interferir na cultura alheia e privar os indivíduos de seu EU, por mais que para nosso ego eles estejam errados. ERRADOS. A gente é DEUS agora?

Rammstein - Amerika



4.12.10

Ich Tu Dir Weh

Nur für mich bist du am Leben
Ich steck dir Orten ins Gesicht
Du bist mir ganz und gar ergeben
Du liebst mich denn ich lieb' dich nicht
Du blutest für mein Seelenheil
Ein kleiner Schnitt und du wirst geil
Der Körper schon total entstellt
Egal, erlaubt ist, was gefällt [...]
Du bist das Schiff, ich der Kapitän
Wohin soll denn die Reise gehn'?
Ich seh' im Spiegel dein Gesicht
Du liebst mich denn ich lieb' dich nicht
ich tu' dir weh, tut mir nicht Leid
das tut dir gut, hört wie's schreit

28.11.10

Oitavo

Minha singela despedida aos colegas, amigos e professores do curso. Lida sob intensa tremedeira na nossa aula da saudade de sexta, dia 26.11.2010. O fim se aproxima e eu ainda não me encontrei... :/



É difícil falar de saudade, de amor, de aprendizado e de sede. É difícil falar do que nos tornamos e admitir que sentiremos falta. Somos rio e nossas águas mudaram: ficaram turvas, límpidas, indecisas. Unimos-nos, nos amamos, nos detestamos, nos perdoamos. Aprendemos muito: a compreender, a construir conhecimento, a inovar e desejar. Também desaprendemos, e talvez isso tenha sido o mais importante: desaprendemos a ver, a sentir e a ser o que éramos e nos tornamos novos. Somos diferentes daqueles quase adultos insanos e sem rumo. Agora somos adultos e continuamos sem rumo. O que quero dizer são palavras que morrerão aqui dentro, mas cujo valor continuará entre nós: esses anos em que me desconstruí foram alguns dos melhores da minha vida; os amigos que fiz e amo continuarão aquecendo meu coração; os momentos que vivi poderão desaparecer do mundo, mas não da minha alma. Já dói a falta de ver todos, todos os dias, viver esse espaço e aprender o novo e o velho. O mínimo que faço é tentar expressar esse sentimento de ausência e realização, desejando que a vida tome rumos bons para todos nós, e que os desejos e anseios de todos se concretizem. Guardo cada um no coração de uma forma, mas agradeço a todos por terem feito parte da minha vida e me ajudado a ser quem sou.

O fim de todas as coisas é o começo de todas as coisas.

25.11.10

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade

17.11.10

Luzes


Mais um novo fim de ano. Mais um fim. Mais um começo de um novo fim.

As ruas da cidade (linda minha cidade!) já estão todas enfeitadinhas. Cheias de luzes, enfeites, brilhos. Parecem bonequinhas que a mocinha caprichosa, com esmero, produziu para o chá de pétalas de rosa. Cheias de orvalho, aquele cheiro delicioso...as pétalas e as ruas. 

Ano passado nem passeei pelas minhas ruas, não tão minhas, para admirar as luzes. Esse ano talvez eu até pague um táxi só para ver um pouco do brilho da história desse mundo em que nasci, em que o Augusto nasceu, você talvez. Eu queria poder pegar um pouco dessa luz e colocar dentro de mim, ficar quentinha e protegida. Mas não tem jeito de pegar...minhas ruas estão só solidão, silêncio e escuridão.

Minhas ruas, essas sim tão minhas, estão sem enfeites de Natal esse ano.


"Todo fim faz-me clarear
Talvez paz, não mais te esperar
Sei que errei, por muito tempo eu te dei
Toda luz...

Todo sim fez-me adorador
Sempre atrás de um beijo, um sorriso, um olhar eu estive
Sei que não dá pra ter de volta o que eu te dei
Toda luz...

Muita luz pra alguém que nem queria ficar,
Mas nem sair...
Bem atrás da casa havia uma linda flor,
Você nem viu...

Todo não fez-me desvaler
Ir de encontro ao pior de você não era justo não
Sei que errei, por muito tempo eu te dei
Tanta luz...

Muita luz pra alguém que nem queria ficar,
Mas nem sair...

Bem do lado interior do coração,
Ainda mora um forte afeto por você...
Bem atrás da casa havia uma linda flor,
Você nem viu..."

(Gram)


Menina dos olhos tristes...

...não se cansa de chorar? Teu olhar rejeita a vida, ninguém a quer amar.



"Cobre-lhe a fria palidez do rosto
O sendal da tristeza que a desola;
Chora - o orvalho do pranto lhe perola
As faces maceradas de desgosto.


Quando o rosário de seu pranto rola,
Das brancas rosas do seu triste rosto
Que rolam murchas como um sol já posto
Um perfume de lágrimas se evola.


Tenta às vezes, porém, nervosa e louca
Esquecer por momento a mágoa intensa
Arrancando um sorriso à flor da boca.


Mas volta logo um negro desconforto,
Bela na Dor, sublime na Descrença.
Como Jesus a soluçar no Horto!"

(Augusto dos Anjos - "Sofredora")

11.11.10

Medo


O pior de ter medo é não ter alguém para te abraçar e fingir que o medo não está ali.
O que há nas profundezas do coração meu...é cruel, é triste. Não merece ser transcrito, expresso.

Merece o esquecimento.
Resta apenas o silêncio agora. Sabe lá se amanhã o Sol vai ser menos cinza? Eu queria.

Querer é perder. Poder é ter. Ser é vazio.



"Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco."
(Carlos Drummond de Andrade)

"Veja o sol
Dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega
É da cor dos teus olhos
Castanhos...
Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo"
 (Tempo Perdido)

"O ser busca o outro ser, e ao conhecê-lo
acha a razão de ser, já dividido.
São dois em um: amor, sublime selo
que à vida imprime cor, graça e sentido.

"Amor" - eu disse - e floriu uma rosa
embalsamando a tarde melodiosa
no canto mais oculto do jardim,
mas seu perfume não chegou a mim."

(Carlos Drummond de Andrade)

Seu desejo não era desejo
corporal.
Era desejo de ter filho,
de sentir, de saber que tinha filho,
um só filho que fosse, mas um filho.

Procurou, procurou pai para seu filho.
Ninguém se interessava por ser pai.
O filho desejado, concebido
longo tempo na mente, e era tão lindo,
nasceu do acaso, o pai era o acaso.

O acaso nem é pai, isso que importa?
O filho, obra materna,
é sua criação, de mais ninguém.
Mas lhe falta um detalhe,
o detalhe do pai.

Então ela é mãe e pai de seu garoto,
a quem, por acaso,
falta um lobo de orelha, a orelha esquerda.
(Carlos Drummond de Andrade)


Ninguém jamais saberá o tamanho da dor. Dores. Minhas e de todo o resto.

4.11.10

1966 e o Amor


Cupido - Edvard Munch
"O jeito, no momento, é ver a banda passar, cantando coisas de amor. Pois de amor andamos todos precisados, em dose tal que nos alegre, nos reumanize, nos corrija, nos dê paciência e esperança, força, capacidade de entender, perdoar, ir para a frente. Amor que seja navio, casa, coisa cintilante, que nos vacine contra o feio, o errado, o triste, o mau, o absurdo e o mais que estamos vivendo ou presenciando.
A ordem, meus manos e desconhecidos meus, é abrir a janela, abrir não, escancará-la, é subir ao terraço como fez o velho que era fraco mas subiu assim mesmo, é correr à rua no rastro da meninada, e ver e ouvir a banda que passa.[...]"

(Carlos Drummond de Andrade, Correio da Manhã, 14.10.1966)
Eu preciso comentar? ...Pois é.

1.11.10

Today...


Hoje eu sou a Lua...não, isso é deveras pretencioso. Eu sou como a Lua hoje: sou toda esburacada, cinza, entre pedras. Sou toda triste e profundamente machucada por dentro: o que a superfície mostra é o ápice do iceberg em que a alma se encontra.

Hoje eu me sinto como a Lua: mesmo com tantos poréns, ela é admirada, é iluminada. Eu ouvi isso a meu respeito, não falaria de mim com toda essa pompa...Uma amiga minha me disse que eu sou iluminada porque eu atraio pessoas boas. Logo eu...

Que seja. Eu tenho os pés machucacos hoje. Feridas profundas. A vida toda eu conheci o sofrimento, e agora ele é todo um grande e enorme medo me afrontando.


Eu sou como a Lua. De longe eu sou pequena mas de perto eu sou grande. Poucos conhecem...pouquíssimos.


Eu sou forte. Eu acordo todo dia sem acreditar nisso. Eu durmo todo dia acreditando nisso. Todos os momentos eu me provo o quanto eu sou forte. Às vezes não queremos ser fortes, queremos ser amados. De alguma forma que só Deus sabe, minha força atrai amor.

Hoje eu tenho um pedaço da Lua em mim.




"Were you born to resist or be abused?
Is someone getting the best, the best, the best, the best of you?[...]
Are you gone and onto someone new?
I need somewhere to hang my head
Without your noose
You gave me something that I didn't have
But had no use
I was too weak to give in
Too strong to lose
My heart is under arrest again
But I break loose
My head is giving me life or death
But I can't choose
I swear I'll never give in
I refuse[...]
I've got another confession, my friend
I'm no fool
I'm getting tired of starting again
Somewhere new."
(Best of You)  




Fonte imagem: http://filmesdelobisomem.zip.net/images/strange_moon.jpg 

 

30.10.10

Clichê


"You only see what your eyes want to see
How can life be what you want it to be
You're frozen when your heart's not open
You're so consumed with how much you get
You waste your time with hate and regret
You're broken when your heart's not open"

(Frozen, composição de Madonna)

28.10.10

Quem sou, pra quê e pra quem?


O mestre:
 
"Se me perguntarem quem sou, direi que não sei classificar-me. Não sei definir-me. Sei que sou um eu muito consciente de si próprio. Mas esse eu não é um só. Esse eu é um conjunto de eus. Uns que se harmonizam, outros que se contradizem. Por exemplo, eu sou, numas coisas, muito conservador e, noutras, muito revolucionário.
Eu sou um sensual e sou um místico. Eu sou um indivíduo muito voltado para o passado, muito interessado no presente e muito preocupado com o futuro. Não sei qual dessas preocupações é maior em mim. Mas todas elas como que coexistem e até me levaram a conceber uma idéia de tempo, porventura nova: a do tempo tríbio. A de que o tempo nunca é só passado, nem só presente, nem só futuro, mas os três simultaneamente. Vivo nesses três tempos simultaneamente.
Sou um brasileiro de Pernambuco. Gosto muito da minha província. Sou sedentário e ao mesmo tempo nômade. Gosto da rotina e gosto da aventura. Gosto dos meus chinelos e gosto de viajar. Meu nome é Gilberto Freyre."


Em terras norueguesas, de vez em quando os céus de bordam de múltiplas cores, que embelezam os dias e as noites. De repente elas somem.

Eu sou tanta coisa e tão nada.

Eu falo pouco e sinto demais. Necessito de amor (e quem não?)
Eu escrevo bem, dizem, mas hoje não quero. Quem quiser que o faça.


24.10.10

Hoje eu pensei...

...nessa canção. Conversar com a Paula e com a Laura me fez segurar mais um pouco...não sei por quanto tempo nem por quê. Nada tem sentido, mas talvez haja sentido.


"Today is gonna be the day
That they're gonna throw it back to you
By now you should've somehow
Realized what you gotta do
I don't believe that anybody
Feels the way I do
About you now

Backbeat the word is on the street
That the fire in your heart is out
I'm sure you've heard it all before
But you never really had a doubt
I don't believe that anybody
Feels the way I do
about you now

And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I'd
Like to say to you
But I don't know how

Because maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall
[...]

I said maybe (I said maybe)
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall "

(Oasis)

22.10.10

I know not what tomorrow will bring

A Morte


A morte é a curva da estrada.
Morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.
     A terra é feita de céu.
     A mentira não tem ninho.
     Nunca ninguém se perdeu.
     Tudo é verdade e caminho.

(Fernando Pessoa)

Eu vejo a morte todo o tempo, eu a desejo e ela me possui.

21.10.10

Ah, eu cansei disso tudo.


"Some of them want to use you
Some of the them wanna get used by you
Some of them want to abuse you
Some of them want to be abused"
(Marilyn Manson)


Hoje estou sangrando de tristeza e ódio. Ah, se alguém entendesse o quanto eu ODEIO essa vida e essa desgraça toda. Hoje é o dia do desabafar, rasgar o coração e arrancar todas as pedras à força. Você é fresco?? Então não fica por aqui, eu escrevo para quem tem rocha dentro do peito. Coração de carne é para quem tem tempo e dinheiro. Se for bonitinho ajuda bastante também.


Estou cansada de tanta injustiça. Tanta frieza. Tanta merda acontecendo. Minha revolta obviamente está relacionada à pessoalidade, mas reflito sobre o universo que me rodeia também. É como um quebra-cabeças: junta-se as peças e se vê a MERDA que são as coisas. Estou de saco cheia de falsidade e de descaso. Vejo muitos indivíduos que até pecam por serem bons demais, ajudarem demais e só levarem na cara. Por que quem não vale MERDA NENHUMA se dá bem? Por quê?? O mundo espiritual está desequilibrado...ao menos na minha vida tem MERDA demais. Admito que posso estar com um monumental entrave nos olhos e não percebo claramente as perspectivas que se apresentam...mas faz isso diferença? Se o que dói, dói pra car****?? Não faz diferença para NINGUÉM. Morro. Daqui dez dias virou passado, tudo segue seu rumo na mais intocada normalidade. Eu não farei falta. Não faço falta nem para mim mesma, o que dirá para o resto. É por sentir isso dentro da alma que desisto, essa vida é triste demais, injusta demais. Tem gente em estado pior, melhor. Sei disso. Faz diferença? Espero estar errada, mas vejo tanta indiferença me rodeando, tenho tanto medo cristalizado que cada vez me certifico mais de certas "verdades". Verdades pessoais, por isso mesmo não aplicáveis às lindas donzelas sem preocupação com porra nenhuma que não seja fazer a droga da unha toda semana para agradar o namoradinho imbecil que só sabe ficar na academia exercitando seu lado narcísico de MERDA.


Hoje eu cansei. Cansei, cansei, cansei. Cansei dessa vida sem sentido, sem motivos. Quando achei que havia encontrado um motivo para viver, ele foi-se também. E agora? Continuo sendo tratada feito lixo e resistindo bravamente a todas as MERDAS que me acometem? Ah não...eu tenho limite também.

O que me aquece ainda um pouco o coração é saber que tem algumas pessoas dignas, que ainda conseguem arrancar um sorriso da minha cara de MERDA. Mas hoje os sorrisos não são sinceros, eu sou toda vazia, toda NADA. Sinceramente...não faz diferença.

O que eu quero falar ninguém quer ouvir. O que eu choro ninguém quer ler. O que minha alma é capaz de amar ninguém quer receber. Um ser orgânico que não serve para absolutamente bosta nenhuma.

Cansei. Cansei. CANSEI.

:/

12.10.10

Augusto


Você me iluminou de uma forma que eu jamais poderia conceber, me trouxe esperanças de que, finalmente, minha vida adquiriria mais sentido e felicidade. Desde o momento de delícias em que você quis passear por esse nefasto mundo até o dia em que te chamaram para tornar-se um pequeno anjo a olhar por nós, você foi amado. E continuará sendo meu amor.






É da porção mais mágica que o universo pode sustentar esse amor pelo desconhecido. Ninguém te via, mas amavam como se fosse um integrante perpétuo de nossas vidas. Foram tantos presentes e palavras de carinho. Todos pensando em você, no seu bem estar. Eu seria capaz de tudo para ter a certeza de que tudo estava bem, que seu coração estava preparado para amar-nos como nós te amamos. É este um amor sublime, sem explicação... é divino. Quando à noite eu me entristecia pensando nas turbulências e cicatrizes que a vida me fez, sabia que você seria minha fonte de alegrias, mais um motivo para eu continuar lutando e sonhando.



Começar a sentir você dentro de mim, trazendo carinho quando a noite me trazia cansaço, chutando devagarzinho quando alguém que eu amasse se aproximava... isso foi sublime. Saber que você estava ali, protegido, resguardado, me amando.



A vida é muito dura comigo. Quiseram te levar antes da hora. Agora você é um anjinho, não está mais aqui abraçando meu ventre. A tristeza que agora sinto é incomensurável, só algumas mulheres podem me compreender. Perder você dessa forma tão rápida, dolorosa e imprevisível foi umas das piores provações pelas quais tive de passar. Possivelmente a pior. Aqueles últimos momentos em que senti você se contorcendo, de madrugada... como eu queria te pegar no colo e fazer seu medo ir embora para sempre.



Eu nunca vou entender por que você me deixou. Sinto tanto sua falta aqui dentro - do corpo e do coração. Choro tanto ao pensar e lembrar, e sei que esta memória não se apagará. Prometo tentar guardar as lembranças belas, dos primeiros momentos que te vi, mesmo com todas as dificuldades. Os planos e os sonhos, como se você já estivesse aqui pertinho com suas mãozinhas delicadas. Os momentos em que senti seus movimentos, mostrando ao mundo que estava contente por estar aqui. As horas em que eu conversava com você, falando da vida e das coisas que íamos fazer juntos.



Todos estavam ansiosos para te ver e te apertar, mas infelizmente o tempo foi perverso e não permitiu sua chegada. Mesmo sabendo que eu não entenderei bem os motivos pelos quais a vida nos apunhalou tão ferozmente, deixo minhas palavras aqui, em meio às lágrimas e dor dentro do peito que te alimentaria com o maior amor do mundo. Saiba que eu te amo, meu filho.

7.9.10

Mãe


És tu, alma divina, essa Madona
Que nos embala na manhã da vida,
Que ao amor indolente se abandona
E beija uma criança adormecida;

No leito solitário és tu quem vela
Trêmulo o coração que a dor anseia,
Nos ais do sofrimento inda mais bela
Pranteando sobre uma alma que pranteia;

E se pálida sonhas na ventura
O afeto virginal, da glória o brilho,
Dos sonhos no luar, a mente pura
Só delira ambições pelo teu filho!

Pensa em mim, como em ti saudoso penso,
Quando a lua no mar se vai doirando:
Pensamento de mãe é como o incenso
Que os anjos do Senhor beijam passando.

Criatura de Deus, ó mãe saudosa,
No silêncio da noite e no retiro
A ti voa minh’alma esperançosa
E do pálido peito o meu suspiro!

Oh! ver meus sonhos se mirar ainda
De teus sonhos nos mágicos espelhos!
Viver por ti de uma esperança infinda
E sagrar meu porvir nos teus joelhos!

E sentir que essa brisa que murmura
As saudades da mãe bebeu passando!
E adormecer de novo na ventura
Aos sonhos d’oiro o coração voltando!

Ah! se eu não posso respirar no vento,
Que adormece no vale das campinas,
A saudade da mãe no desalento,
E o perfume das lágrimas divinas,

Ide ao menos, de amor meus pobres cantos,
No dia festival em que ela chora,
Com ela suspirar nos doces prantos,
Dizer-lhe que também eu sofro agora!

Se a estrela-d’alva, a pérola do dia,
Que vê o pranto que meu rosto inunda,
Meus ais na solidão lhe não confia
E não lhe conta minha dor profunda,

Que a flor do peito desbotou na vida
E o orvalho da febre requeimou-a;
Que nos lábios da mãe na despedida
O perfume do céu abandonou-a!...

Mas não irei turvar as alegrias
E o júbilo da noite sussurrante,
Só porque a mágoa desnuou meus dias,
E zombou de meus sonhos delirantes.

Tu bem sabes, meu Deus! eu só quisera
Um momento sequer lhe encher de flores,
Contar-lhe que não finda a primavera,
A doirada estação dos meus amores;

Desfolhando da pálida coroa
Do amor do filho a perfumada flor
Na mão que o embalou, que o abençoa,
Uma saudosa lágrima depor!

Sufocando a saudade que delira
E que as noites sombrias me consome,
O nome dela perfumar na lira,
De amor e sonhos coroar seu nome!...

[À minha mãe; Álvares de Azevedo]

4.9.10

O ronron de um gatinho


O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.
Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.

É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ronron
para mostrar gratidão.

No passado se dizia
que esse ronron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.

Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ronron em seu peito
não é doença - é carinho.


Ferreira Gullar


29.8.10

Defina-me em uma Tira



Só quem me conhece muito bem entenderá...

Pedras & Flores


Aqui dentro há tanta dor que nada mais se enxerga. O passado se reapresenta em seu fúnebre esplendor: traz sofrimentos de tempos findos.
A dor não se cala, não dorme, não cerra os olhos buscando umidade. Ela fita. Sangra até meus ossos, reacende dores do outrora, salienta as do então e promete não ausentar-se.
Não somos feitos de sonhos. Somos feitos de pedras e flores. Poucas flores, em verdade. As pedras pesam tanto... e muitos jamais encontram com quem dividir o fardo. Eu não achei. Quanto tento sonhar, as facadas em meu peito doem mais.
Agora não vejo flores. Talvez definharam em meio à lúgubre escuridão da minha alma. Tantas sementes lançadas: amor, paciência, compreensão. Todas machucadas pelo Sol, impávido senhor das ausências.
Havia um mundo lindo no qual eu existia; nele meus sorrisos não rareavam. Ele desmoronou, acabou, desmanchou, tornou ao pó.
Agora existem apenas meu eu e este olhar que carrega dores que a própria dor desconhece. Solidão e sonhos despedaçados banqueteiam junto a mim. Tranco-me.

___//___
Há você. Essa incógnita que ainda nada pode contra as garras do sofrimento.
___//___

Dói meu corpo, dói meu coração. Se alguém se aventurasse a perscrutá-lo, derreteria em lágrimas até o último solstício. O irônico é que existem dores de outros, que eu desconheço também, e que cortam ainda mais. Carreguemos nosso baú de pedras, até que as forças findem ou finalmente nasça uma flor na estrada.

___//___
Sem rima e sem beleza, me acabo.

30.7.10

Frangalhos



 
Fonte: ryotiras.com
Amanhã tentarei escrever...espírito está em ruínas.

13.7.10

The End


O que é o fim? Um novo começo? Uma efetiva derrocada? Um sonho despedaçado? Um amor maltratado?
O que é o começo? O resfolegar depois das mais violentas pedradas? O tentar? O 're'sonhar?

Ainda faz sentido amar e querer bem? Faz sentido ser forte?

Levantamo-nos para cair. Tornamo-nos fortes para enfrentar monstros piores. É como num jogo de RPG: no primeiro level as magias são fraquinhas (se você for mago ou clérigo) e os confrontos e criaturas também são mais fracos...se você chegar ao level 9 (meio impossível, mas tá) os monstros são totalmente impossíveis! Você é fantasticamente forte...o que você enfrenta é fabulosamente denso.

A vida nos prepara e nos educa para o vazio, para o fim.
Amor é uma lenda, um sonho mal construído por poetas charlatões.
Sonhar é um risco. Talvez ainda valha a pena.
Pergunto-me, noite após noite, o que vale. O que é o ser, essa infindável quimera.

Algumas pessoas precisam de uma razão para viver. Preciso de uma razão para ir-me.




22.6.10

Luís de Camões & Metallica


O que dizer de quem traduz os mesmos sentimentos em tempos diferentes? A voz que flui da alma entoa a mesma canção, parafraseando o escuro e fúnebre existir dos sentidos. Que pessoas vazias não cruzem nossos caminhos e preencham nossos corações com seu nada.

 Lá...

"Tempo é já que minha confiança
se desça de sua falsa opinião;
mas se Amor não se rege por razão
não posso perder, logo, a esperança.
  
A vida sim; que uma áspera mudança
não deixa viver tanto um coração;
E eu na morte tenho a salvação:
Sim; mas quem a deseja não a alcança.

Forçado é, logo, que eu espere e viva.
Ah, dura lei de Amor, que não consente
quietação numa alma que é cativa!

Se hei de viver, enfim, forçadamente,
para que quero a glória fugitiva
de uma esperança vã que me atormente?"

 Camões
E cá...
"And now I wait my whole lifetime
for you
[...]

I ride the dirt I ride the tide
for you
I search the outside search inside
for you

To take back what you left me
I know I'll always burn to be
The one seeks so I may find
And now I wait my whole lifetime

Outlaw Torn
Outlaw Torn
And I'm torn

So on I wait my whole lifetime
for you
[...]

The more I search, the more my need
for you
The more I bless, the more I bleed
for you

You make me smash the clock and feel
I'd rather die behind the wheel
Time was never on my side
So on I wait my whole lifetime

Outlaw Torn

[...]

Hear me
And if I close my mind in fear
Please pry it open
See me
And if my face becomes sincere
Beware
Hold me
And when I start to come undone
Stitch me together
Save me
And when you see me strut, remind me of what left this outlaw torn. "

Metallica - Outlaw Torn

12.6.10

Divagações














Ele existe, ele está em você e ao seu redor. Respire-o e sinta-o no ar fresco da manhã, na delicada canção dos ventos, no sorriso gentil de um desconhecido, na alegria incontrolada de quem transpôs um obstáculo, na melodiosa canção de um coração apaixonado. Ele está em todo lugar, por mais que o tentem despedaçar. Mesmo que mil pedras o atinjam, seu brilho se perpetuará na alma dos esperançosos.














Para finalizar, uma canção baseada numa confusa e trágica história de amor. ^.~


8.6.10

Professores


Ninguém disse que seria fácil...espero que ao menos seja gratificante e glorioso.













Créditos da Tira: Bichinhos de Jardim (ówn)

7.6.10

Ah, o amor...


Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.

Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.

Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos...

E erquendo os gládios e brandindo as hastes
No desespêro dos iconoclastas,
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!

(Augusto dos Anjos - Vandalismo)
Ah, o amor...
O amor é uma merda.



2.6.10

O Jardim Secreto {ou De Persona Mea}


Praticamente ninguém ou talvez ninguém sabe o que aquelas portam encerram. Aqueles extensos e altíssimos muros transbordam uma relva já não tão verde; saliente e chorosa. É difícil transpor os galhos rigidamente entremeados e vislumbrar a nudez da parede pedregosa. É um mistério que envolve tão intransponíveis muralhas... O portal é belo, embora melancolicamente arquitetado. Parece grosso em largura, e certamente o é. Vigorosos umbrais de carvalho, já escurecidos pela fértil ação dos temporais e longos invernos, apresentam-se mesmo aos olhos mais desapercebidos.


Assoma o espírito a sensação de que por detrás de tão temíveis muros e tão amedrontadora porta, exista um jardim. Um belo jardim, possivelmente. Alguns observadores mais atentos que demoraram-se em tentar desvendar os mistérios ali escondidos, asseguraram poder sentir o doce cheiro de flores primaveris. Glicínias, dálias e violetas, talvez. Cheiro forte, lânguido e alentador, mas perceptível somente aos mais corajosos que quedaram-se em transpor os muros com outros sentidos que não o visual.






No outono e no inverno a rigidez circunscreve-se mais firmemente no jardim. Secreto. A força do vento e do frio cega o olhar e dissipa as esperanças de encontrar uma chave ou uma forma de captar os tesouros que ali podem estar escondidos. O que será que há ali dentro?? Dores, alegrias, sofrimento, amores? Perdas, resignação, impulsividade? O pouco que pode-se perceber é o cheiro, é a inquietude e a verve do decadente exterior.

Alguns afiançam ter encontrado pequenas janelas ali. Esmaecidas, embaçadas e quase invisíveis por detrás dos duros galhos e folhas. A pouca nitidez alcançada com o auxílio da luz do Sol permitiu, diz-se, admirar um pequeno paço abandonado. Uma fonte de água, belamente adornada, inquieta em meio aos canteiros, descansava ali. Flores dançavam com o vento, flores que pareciam lágrimas besuntadas de esperanças e vazios. Umas poucas fraturas no interior dos muros, mas tudo ainda de pé, resistindo ébriamente ao tempo e à erosão que ele contorna nas almas. Tudo tão belo, tão misterioso...tão desconhecido.

Penso no dia em que um aventuroso personagem enfim enxergará o que aquelas pedras úmidas e lodosas encerram. De forma completa e irreal.

...

Verídico

26.5.10

Mulheres descabidas


Não está faltando amor. Está faltando VERGONHA NA CARA.

Estou farta de mulheres fresculóides e nojentas. E homens superficiais e frívolos.

Com frequência indesejável vejo e ouço mulheres discursando mesquinharias sobre o homem que procuram. Inteligente, bondoso, trabalhador e honesto? Que nada, querem é um bonito e de preferência rico.Quando se vêem tragadas por cafajestes aculturados cuja cabeça fica na parte inferior do corpo, fazem-se de vítimas imaculadas, traídas em sua incontrolável paixão. Faça-me o favor! Um dia comentei que estava com alguém interessante e escuto a fatídica primeira questão: "É mesmo? E ele tem carro?"... Fico irada com a futilidade que invade vidas, mentes e relações. Mulheres enlouquecidas em dietas e academias para igualaram-se às divas dos periódicos. Mulheres preocupadíssimas com a unha quebrada e com o namorado que não paga a conta. Mulheres ocupadas em discutir os últimos acontecimentos da novela das oito. Priorizam aparência, físico e bolso; e ficam inconformadas ao ter que dividir uma conta.

O que nos tornamos?

Homens que só procuram mulheres cuja "dita" esteja adequadamente higienizada para a cópula. Alguns nem exigem tanto. E encontram sim, mulheres dispostas a tal, desde que exibam a chave do conversível e o talão de cheques. E alguns chegam ao disparate de reclamar que todas são "insensíveis", "sem assunto" e "só pensam em dinheiro". Será que procuram nos lugares certos? Ou acham que no Axé Brasil irão encontrar, em meio àquelas centenas de micro - invisíveis - saias e pseudo-blusas a mulher de sua vida?? Competente, inteligente, simpática e digna? Vai na fé, garanhão!

Mulheres que não lêem, não sabem construir uma única frase onde não desponte a palavra "homem", "quilos", "novela" e "compras". Já leram algo diferente da revista Capricho?? O que ouvem? Músicas libinosas de rappers americanos que cantam justamente a superficialidade que tanto lhes agrada. E reclamam que "falta homem que preste". Não é exigência demais querer algo que você não oferece nem minimamente??




A modernidade trouxe benesses incomensuráveis, mas também liberalizou e superficializou o ser. A maioria se rende ao utilitarismo e vive em função do corpo. E a alma? E o interior? Quando encontro alguém que foge à esse padrão, sei bem que estou diante de um integrante do reino de Preste João. Gemas raríssimas e desvalorizadas.

Há salvação? Ou a tendência é piorar? Não acredito que haja uma resposta pronta. Somente entristeço-me ao ver o menosprezo tácito de certas pessoas aos valores e às personalidades fortes. Generosidade, inteligência, visão, honestidade, etc. Brilhe com um cifrão que você vê a diferença. Mas sei que nem tudo está perdido, raros exemplares que rejeitam tal idéia ainda figuram no mundo. Ainda bem.

^.~

23.5.10

A dor de uma separação...

Segundo a Natália, eu sou igual ao Adão (oO).



Do sempre excelente Um Sábado Qualquer.

beijokitas!

21.5.10

30 coisas para fazer antes dos 30...


É uma lista meio non sense que encontrei em meio às andanças pela Internet, mas tem coisas interessantes. Resolvi ver quais itens eu, com parcos e mental-balzaquianos 21 anos, já realizei. Amigas, copiem em seus blogs! ^^


1- Ficar absurdamente bêbado pelo menos uma vez na vida (só uma? vixi...)
2- Fazer amizade pela net e ficar bem amigos (isso é arriscado, mas já fiz. converso até hoje com o indivíduo).
3- Ter um amor platônico (é...(in)felizmente já!)
4- Se apaixonar a primeira vista (já aconteceu também, embora o desfecho foi meio dramático).
5 Roubar o (a) namorado (a) de alguém (Never!! Eu hein?...tem que ser muito pilantra para algo assim, sem chance).
6- Roubar chocolate nas lojas Americanas (essa aí também é dureza...não me sinto muito estimulada a fazer não. no máximo comi lá dentro e passei a embalagem no caixa rs).
7- Ir para balada de ônibus (ah! frequentemente. quem fez essa lista deve ser muito Maria Gasolina).
8- Subir num palco e dançar igual louco (não, não e não. nem absurdamente bêbada).
9- Transar num lugar publico (XD)
10- Fingir ser estrangeiro e falar um idioma que não existe (por incrível que pareça, já fiz. misturei tudo de língua clássica, uma coisa medonha e idiota, sinceramente).
11- Pintar o cabelo de uma cor absurda (meu cabelo ainda é virgem e puro ^^)
12-Fazer uma Tatoo (yep).
13- Ter o melhor sexo da sua vida (...).
14 -Ir a um show de rock e ficar gritando: ‘CANTA PAGODE’ (nem a pau, pagode? fala sério).
15- Voltar da balada e dormir com a roupa que saiu (várias vezes! -lembrei da Vanessão agora...)
16- Se jogar na piscina de roupa (não lembro, acho que não).
17- Fugir de casa  e voltar no outro dia (nem dá mais para fazer isso, que paia).
18- Ir numa boate gay (passo).
19- Passar uma semana comendo besteiras (chocolate! *.*)
20- Tomar banho de mar a noite (claro! magnífico isso).
21- Ter um animal e conversar com ele (eu e os mais de trinta gatos que já tive travavámos longas e interessantes conversas).
22- Encontrar um ídolo (já ...se ressuscitassem alguns ia ser estupendo).
23- Sacanear um desconhecido (não sacaneio nem os conhecidos, falta de dom...)
24- Chorar vendo um desenho ou filme (nossa...perdi a conta. choro com filmes imbecis, deprimente isso).
25- Compor uma música (poema serve?)
26- Viajar sozinho (nossa...altas histórias legais!)
27- Chorar de tanto rir (terapia!)
28- Jogar uma bomba no vizinho (WTF?)
29- Encontrar um amor (amores vêm e vão).
30- dizer EU TE AMO sem estar bêbado. (amigos, amo vocês! - estou sóbria!).

Já fiz cerca de vinte desses tais coisas, embora das restantes, não me sinta muito tentada não...enfim.
Postarei algo útil (ou não) em breve. (:

*:


fonte

10.5.10

Afetos


"Bendito o amor que infiltra n’alma o enleio
E santifica da existência o cardo,
- Amor que é mirra e que é sagrado nardo,
Turificando a lenguidez dum seio!

O amor, porém, que da Desgraça veio
Maldito seja, seja como o fardo
Desta descrença funeral em que ardo
E com que o fogo da paixão ateio!

Funebulescamente a alma se atira
À luta das paixões, e, como a Aurora
Que ao beijo vesperal anseia e expira,

Desce para a alma o ocaso da Carícia
Ora em sonhos de Dor, supremos, e ora
Em contorções supremas de Delícia!"

(Augusto dos Anjos).

9.5.10

Parei de pensar e comecei a sentir...


"Dantes eu queria 
Embeber-me nas árvores, nas flores, 
Sonhar nas rochas, mares, solidões. 
Hoje não, fujo dessa idéia louca: 
Tudo o que me aproxima do mistério 
Confrange-me de horror.  Quero hoje apenas 
Sensações, muitas, muitas sensações, 
De tudo, de todos neste mundo — humanas, 
Não outras de delírios panteístas 
Mas sim perpétuos choques de prazer  
Mudando sempre, 
Guardando forte a personalidade  
Para sintetizá-las num sentir. 
             Quero 
Afogar em bulício, em luz, em vozes,  
— Tumultuárias [cousas] usuais — 
o sentimento da desolação 
Que me enche e me avassala. 
              Folgaria 
De encher num dia, [...] num trago, 
A medida dos vícios, inda mesmo 
Que fosse condenado eternamente — 
Loucura! — ao tal inferno, 
A um inferno real.
(Fernando Pessoa)


Por que pensar se podemos apenas sentir...sentir desespero, sentir amor, sentir raiva, sentir confusão...Sentir apego, sentir a perda, sentir saudade...Sentir dor, sentir alegria, sentir falta, sentir o toque. Sentir o vento, sentir o sol, sentir a energia vibrante da lua nas noites intermináveis...Sentir a incomensurável sincronicidade da vida e de nossas escolhas. Estar defronte o abismo e mesmo assim fechar os olhos e saborear o que os dissabores nos apresentam. E crescer.

O sofrimento nos ensina lições que jamais seriam aprendidas em tempos felizes.

Ainda te sinto...

6.5.10

O que me faz brilhar...


"Sempre se diz que o tempo muda as coisas, mas na verdade é você que tem que mudá-las." (Andy Warhol).




O opaco descortinar da manhã de sábado me faz brilhar...
O cativante sorriso de uma criança...
O doce som da voz de quem amo em meio à madrugada, me ligando só para saber como foi o dia.
A suave descoberta dos mistérios que os livros guardam...
O adocicado sabor do chocolate, da uva e de um abraço sincero...
O ronronar macio e a eterna paixão dos meus amados gatos...
As lembranças do que foi bom, sem os devaneios do "se"...
Aquele amigo ou amiga que me ampara mesmo sem eu ter de verbalizar meu sofrer...
As delícias da entrega completa, sem culpa, rancor ou superficialidade.
O cheiro...ah! o cheiro!...
O peculiar enlaçar de mãos e almas, os olhos que se beijam.
Uma conversa com a qual eu mais aprenda do que ensine.
O sentir o cálido carinho com que o vento me envolve...
A sensação de dever concluído com maestria.
Uma mensagem inesperada, com sentimentos igualmente surpreendentes.
Mãos em diálogo com meus cabelos...
Encontrar amigos, pedaços vitais em minha alma.
Chorar de alegria.


São tantas coisas que me inebriam e me fazem brilhar...são coisas que me instigam a permanecer, a não  entregar-me aos pequenos desvios que a vida dispõe, a amar e acreditar. Talvez justamente por isso aqui esteja, a me descobrir e redescobrir, desvelando os profundos véus da existência. Viver pode não ser facílimo, mas é deliciosamente gratificante nesses momentos.



ps.: post dedicado ao meu querido amigo Rodrigo, que ainda me lembra que vale a pena, se a alma não é pequena.♥

2.5.10

Sofríveis pensamentos...

"Never knew I could feel like this
Like I've never seen the sky before
I want to vanish inside your kiss."


Pensar em como a solidão esfria meus dias é como tecer infinitas linhas com agulhas pontiagudas, que teimam em repisar as já rubras feridas. Você foi o mais terrível dos busílis, pois trouxe alento e dor; ósculos - vazios ao que percebo - , e um pequeno adeus para toda a eternidade. Pergunto-me, em vã tentativa de digerir a sofrível sensação de abandono: o que é eterno? O que é?Nada ressoa de forma tão fúnebre como aqueles dias em que o chão deixou de estar sob meus pés. 


A solidão não é um mal, eu digo.Mal é sentir-só estando acompanhado. O que enfrento hoje, os embróglios que se me apresentam são tão maiores e mais vistosos que a dor de não tê-lo mais, que apenas aceito meu luto e sigo a margem do rio. Espero que o que me aguarda ao final deste breve e tortuoso caminho não seja tão aperolado quanto as lágrimas que dispensei ao sonhar você.

Ö()~

25.4.10

I dreamed a Dream...


Ontem eu tive um sonho...não foi ambientado em colinas envoltas em um lânguido verde...não foi entoado com a doce voz do vento...tampouco foi a visão de um eu inexistente, fruto de crises do não-ser.

Em meu sonho eu acordava, e não haviam brumas de tempos anteriores irreais. Era real. Após longos anos de privações, tribulações, decepções e inúmeros ções que são apenas canções destinadas a melodiar o desespero sem rima...eu acordava. E sorria. Ah! Não sorria para alguém, eu sorria para mim. Transbordando por dentro em chamas de alegria desconhecida e incomensurável, eu sorria.

Em meu sonho o viver não era perpetuado apenas pela existência premente, ele era adocicado. Tal qual um néctar que se saboreia devagar, para jamais se findar... Vestes normais comprimiam meu corpo, um lar usual circundava meu espírito titubeante e um comum distúrbio exterior indicava a rotina já conhecida...mas eu brilhava.

Pessoas brilham. Brilham quando se aconchegam, se beijam, se entrelaçam, conquistam e findam o ato. E quando estão imersas em felicidade e torpor extasiantes e redundantes. E lá estava eu, a brilhar, talvez em virtude da soma de tudo...não queria calcular. Apenas sentir.


"[...] He slept a summer by my side.
He filled my days with endless wonder,
He took my childhood in his stride,
But he was gone when autumn came.

And still I dreamed he'd come to me
And we would live the years together,
But there are dreams that cannot be
And there are storms we cannot weather.

I had a dream my life would be
So different from this hell I'm living
So different now from what it seemed
Now life has killed the dream
I dreamed."

(I dreamed a dream - Les Miserables)

23.4.10

Momento Esopo


"A raposa e a pantera


Uma raposa e uma pantera discutiam sobre sua beleza. Como a pantera não parasse de gabar-se do brilho de seu pêlo, a raposa a interrompeu dizendo: "Eu sou mais bela que tu, eu sou brilhante não no pêlo, mas na inteligência!".

Moral: A fábula mostra que a grandeza da inteligência é superior à beleza do corpo."




Não raro nos vemos entregues ao torpor da beleza, efemêra, e obstamos em saborear as delícias de um espírito belo...


"Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar,desamar, amar?
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita."

(Carlos Drummond de Andrade, Amar, Antologia Poética, 1960).

19.4.10

Identidade e Hominidade


Hoje assisti ao filme Blade Runner, do Ridley Scott (1986). Para quem ainda não teve a oportunidade, eu recomendo!! Enfim, o fato é que todo o contexto me proporcionou algumas reflexões, não sei se úteis, mas que assim mesmo aqui se dilatarão.

Atualmente muitas discussões são construídas tendo por base o elemento identidade, mais propriamente a identidade do homem. Até que ponto a influência midiática afeta a memória e identidade coletiva, indiretamente (ou diretamente?) agindo sobre a memória pessoal? São questões que o filme aponta, de saborosas maneiras.


O Lucas me passou um trecho de uma resenha (tendo em vista o vasto conhecimento sobre a minha pessoa) que resgata uma nuance interessante que percebi no roteiro:

"Enfim, não é suficiente o “cogito ergo sum” (como disse a replicante Pris para J.F. Sebastian: “Penso, Sebastian, logo existo”). Ou seja, não basta apenas “pensar para existir” (a referência sarcástica à famosa frase de Descartes sugere uma critica do racionalismo cartesiano, base da filosofia do sujeito e da civilização do capital). Estamos diante de uma aguda contradição: o homem demonstrou ser capaz de dar a vida, mas não conseguiu ainda ser capaz de dar-lhe um sentido. Ou melhor, o homem ainda não se tornou capaz de constituir um campo de desenvolvimento humano, onde a vida possa ser plena de sentido. Os Nexus 6, em seus curtos quatro anos de vida útil, estão condenados a sofrer de forma infinitamente intensa esta experiência trágica. Talvez nós, homens e mulheres, possamos sofrê-la de forma mitigada."¹



Os replicantes são formas de vida criadas pela Tyrell Corporation, em 2019. São em tudo similares aos humanos, exceto pelo fato de não possuírem memórias próprias e seu tempo de vida útil ser, como já dito, de quatro anos. São meros objetos da reprodutibilidade técnica, nos quais está imbutido um sentido de valor cujo limiar não chega à hominidade. Nós não somos, ao fim e ao cabo, meros produtos também?? Refinados, com personalidade e especialização diversos, mas ainda assim previsíveis e com padrões emocionais que nos distinguem dos sem-memória ou sem-humanidade? Se você morrer amanhã, uma ou duas míseras almas podem até sentir a perda por uns dias, mas o sistema (capitalista ocidental) decerto não sentirá. Pode parecer melancólico e marxista (novidade né?), mas retirando uns excessos, chegamos à intragável tarefa de perceber aonde começa o homem e aonde termina a peça. A construção.


Muitas pessoas tem dificuldade em tecer suas próprias personalidades, agindo vampiricamente com o meio externo, e por isso mesmo, são verdadeiras mímeses dos outros. Não critico isso, apenas constato. Identidade e personalidade não são obras do acaso e da geração espontânea. Já li estudos (lembro a fonte não) que asseguravam que mesmo quando bebês já temos atitudes e noções particulares, indícios de personalidade. Eu, pessoalmente, espero que seja verdade. Não é agradável a idéia de sermos simples e descartáveis componentes do complexo modo de produção. E eu nem considero alienante o capitalismo e a mídia. As pessoas que se alienam. Eu defendo a idéia de troca, através da qual os homens se reconhecem externamente, mas não absorvem de forma integral a mensagem, filtrando apenas o que lhe é interessante e útil. É nesse ponto que reside a beleza e unicidade do ser humano, paradoxalmente tão único e tão similar. Pode ser reposto, mas sempre ficará um vazio na alma dos que sabem do amor.


Finalizo esse post viajante com a mais bela (em minha opinião) frase do filme, poética e melancólica. Quando tiver mais tempo e mais mente, quem sabe não alongo esses produtos de alucinação...



All those moments will be lost in time like tears in rain. Time to die. (Roy).



¹http://www.telacritica.org/BladeRunner.htm
Imagem: Criança Geopolítica Assistindo ao Nascimento do Novo Homem – Salvador Dali - 1943